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Culpado até que se prove o contrário

[...] Não matarás o inocente e o justo, porque não absolverei o culpado. Nem sempre o que parece óbvio é verídico, e o peso da responsabilidade de uma decisão que pode ceifar uma vida não é pouco. 12 Homens e Uma Sentença é a prova de que mesmo sob as luzes da cidade, ainda se faz necessária a luz do luar. É uma ampla crítica ao meio jurídico, que não se resume à letra da lei: há pessoas ali e nelas há seus preconceitos, a vontade de querer terminar um caso o quanto antes mesmo com poucos argumentos que podem ser provados falsos (como o filme expõe). Assim como sozinha num céu escuro, a lua pode iluminar a natureza, é assim que a argumentação revela sua força. O jurado 8, o único no início do filme que já suspeitava de que as coisas não são tão óbvias como pareciam, leva a luz da argumentação aos demais jurados, que aceitam mudar seus votos. Mesmo o jurado 3, que insistia em manter seu voto de culpado não por questões verdadeiramente argumentativas, mas por uma mágoa pessoal de seu filho no passado, aceita mudar seu voto, pois a verdade não se limita à experiência. A verdade está nos fatos, e cabe à justiça descobri-la. É incrível como, com quase 70 anos, o filme já apresentava um jogo de câmeras esplêndido, que realmente prende a concentração do espectador, um roteiro tão bem feito que quebrou os clichês da época (e até de hoje em dia) e uma atuação que é espetacular. Para um filme produzido com pouquíssimo orçamento e em pouquíssimo tempo, é de se impressionar com tamanha qualidade. Sem dúvidas, é um clássico atemporal que merece mais reconhecimento. “Fiat iustitia, et pereat mundus.”