Diary Entry forGran Torino
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Gran Torino
Walt Kowalski, esse ser amargurado que Eastwood escancara nos primeiros minutos ao colocá-lo reagindo com desprezo ao comportamento dos netos durante o funeral da esposa. Veterano da guerra da Coréia que guarda consigo o nacionalismo estadunidense agressivo e infestado dos mais diversos preconceitos. O protagonista, vivido pelo próprio Eastwood, não encontra conforto em sua aposentadoria, mas opressão ao se ver cercado pela iconografia de seu país; da bandeira que frequentemente está disposta no plano quando o vemos proferir falas e expressar reações discriminatórias direcionadas aos vizinhos orientais até mesmo ao elemento que nomeia o filme, seu carro Gran Torino 1972, da Ford. Walt não encontra pacificidade nesses símbolos, mas é refém da alienação ideológica que o impede de compreender as marcas de seu passado. Pensando nisso, o momento de ruptura em Gran Torino é o diálogo que troca com o padre na varanda de sua casa: a bandeira estadunidense é enfatizada na mise-en-scène, mas nunca no mesmo plano em que Walt está (https://antesquetudodesapareca.tumblr.com/image/683276109591281664). É o primeiro indício de que existe um humano desolado diante do nacionalismo na qual se esconde.
Gran Torino
"A adolescente Sue, que Walt em outra ocasião salvara do assédio de jovens delinquentes, chega em casa completamente arrebentada. O que indiretamente desencadeou tal agressão extrema foi uma atitude de Walt: ele “mandara recado” ao primo de Sue, líder da gangue Hmong que perturba a vizinhança, ordenando que a gangue parasse de importunar Thao (agora seu amigo e quase filho adotivo). Os gangsteres se vingaram estuprando e violentando Sue, que é irmã de Thao. A chegada dela após o ocorrido é um choque. Walt, que está lá e presencia esse momento, vai para casa, se tranca em um desesperador sentimento de culpa. Ele soca a porta de vidro de um armário, se autoflagela, sente sua existência como um erro da natureza. O espaço ao redor dele se afunda na mais densa escuridão do filme. O cenário se converte em espaço mental; o drama se relocaliza nessa espécie de câmara obscura da consciência que é, a um só tempo, seu abismo e sua forma quintessente. A sombra no rosto de Eastwood sempre existiu para que se pudesse olhar além dele, buscando algo que seu rosto esconde e no entanto quer confessar. Nessa cena de Gran Torino, Walt se entrega à escuridão porque ela nada mais é que a substância mesma de sua alma, a matéria de que é feita. Eis sua grande confissão." Trecho do texto sobre o filme, escrito pelo Luiz Carlos Oliveira Jr. na Revista Contracampo (https://letterboxd.com/contracampo100/film/gran-torino/) Não me recordava de ser um longa tão escuro, imerso nessa fotografia acinzentada, desbotada em questão de cores e contrastes; em outras palavras, morta. Mas é essa pulsão de morte que parece conferir movimento a Gran Torino. É um filme amargurado e que olha para esses cenários decadentes de uma Detroit - por consequência, dos Estados Unidos - engolida nessa melancolia inerente em cada espaço. A casa de Walt, personagem de Eastwood no filme, é um cenário de punição: povoada pelas penumbras de seu passado, o velho rabugento que não se vê capaz de abrir a boca sem vociferar uma atrocidade discriminatória atrás da outra é atormentado pelas angústias de um passado de sombras, dessas glórias fajutas em nome de um país que retribui a barbárie com uma medalha, esse símbolo de honra em meio aos corpos derrubados. Tanto a sequência que Walt discute sobre vida e morte com o padre quanto a que baixa sua guarda pela primeira vez evidenciam isso: na primeira, Eastwood faz questão de ostentar as bandeiras estadunidenses na composição atrás do personagem, esses signos da dominação e imperialismo que moldaram Kowalski até os últimos segundos de sua existência; na segunda, todavia, elas não compõem mais o fundo do cenário e exatamente no instante que o protagonista é confrontado e responde pela primeira vez, desarmado de todas as suas convicções, o quão doloroso é o preço da morte. Não resta esperança para ninguém e o desfecho não poderia ser mais pessimista nesse sentido. Menos um sacrifício que um suicídio, a rendição de Walt à morte e sua partida sem celebrações, estirado no chão segurando mais um dos símbolos que jurou defender. Onde está o seu país agora? No mais, possuo inúmeras ressalvas do instante com os personagens negros - é muito de mau tom que a única representação da comunidade afroamericana no seu filme esteja no âmbito do arquétipo racista mais conveniente possível, potencializada na maneira que Eastwood enquadra esses corpos em cena; menos uma provocação que uma falta de sensibilidade do cineasta mesmo.
Gran Torino
I think I liked it? Clint Eastwood gives a great performance, and so does the rest of the cast for the most part, but there was definitely some questionable acting scattered throughout. I was kinda uncomfortable the entire time, but I’m not really sure if that was intended or not. The ending is pretty good. Some very quotable lines in here for sure. Overall it’s good but a bit uneven. 7/10
Gran Torino
Besides the atrocious acting (except Eastwood of course), this is a weighty film about friendship, social prejudices, sacrifice, and what it means to “be human”. Fight the cringe, understand the message.
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