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“Le cose belle fanno più male quando non sai più dove metterle.” Foi um dos filmes mais melancólicos e lindos que já assisti. Daniele carrega no rosto um cansaço profundo, como se nada fosse capaz de aliviar o peso que ele sente. Ele é bonito por fora, mas completamente corroído por dentro, alguém que observa o mundo à distância, com ironia, apatia e um desejo silencioso de desaparecer. O romance entre ele e Vanina é o encontro de duas pessoas em que só sobra a solidão, transformada em algo delicadamente triste. Os dois são feitos mais de olhares do que de gestos, mais de silêncio do que de declarações. Existe um entendimento mútuo que nunca precisa ser dito em voz alta. A fotografia do filme é fria, acinzentada, quase morta, e reforça constantemente essa melancolia. As ruas parecem vazias mesmo quando há pessoas nelas. Tudo no filme respira solidão, nos enquadramentos, nas pausas, nos vazios entre uma fala e outra. Esse filme foi um dos mais lindos e melancólicos que já vi. Eu adoro quando uma obra consegue demonstrar a solidão e a melancolia através das cores e, principalmente, dos olhares entre os personagens principais.
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É uma obra que claramente não é uma história de amor, mas sim sobre a impossibilidade do amor. O filme mostra como Nemours podia facilmente manipular Junie, ainda mais por ela ter perdido a mãe há pouco tempo, então ela estava totalmente em um estado vulnerável sentimentalmente, e era claro que qualquer um podia se aproveitar disso. As cenas são muito bonitas e bem-feitas, mas o relacionamento deles não passava de poder disfarçado de paixão. “I’m as lost as you are.”
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Usar o canibalismo como uma metáfora de amor chega a ser algo tão único, um amor intenso que você chega a amar a pessoa em um ponto que você quer devorar ela. É um dos filmes mais bonitos envolvendo o canibalismo como uma metáfora amorosa e com certeza sempre vai ser o meu filme favorito justamente por esse motivo. “You don’t think i’m a bad person?” “All i think is that i love you.”
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Requiem for a Dream foi um filme extremamente perturbador pra mim. Ele fala sobre drogas, sim, mas vai muito além disso. É sobre obsessão, vazio e essa ilusão constante de que algo externo vai finalmente “consertar” a gente. Cada personagem entra em um ciclo de autoengano, acreditando que está no controle da própria vida. E o filme faz questão de mostrar o oposto de forma crua, sufocante e sem nenhuma piedade. Uma coisa que eu gosto muito é a coloração do filme. No começo, os tons são mais quentes e “normais”, quase confortáveis. Conforme os vícios avançam, tudo vai ficando mais frio, esverdeado, amarelado e artificial. Nada ali parece saudável ou real. O mais perturbador é perceber que não existe um vilão claro. O verdadeiro inimigo é o desejo incessante de ser alguém, de ser visto, de se sentir suficiente “I love you Harry. You make me feel like a person.”
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“I used to make up long speeches to you after you left. I used to talk to you all the time. Even though I was alone. I walked around for months talking to you. Now I don’t know what to say. It was easier when I just imagine you. I even imagine you talking back to me. We’d have long conversations, the two of us. It was almost like you were there. I could hear you. I could see you, smell you. I could hear your voice. It would make me up in the middle of the night. Just like you were there in the room with me.”
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”Maybe the next one, darling.” Com certeza Crash foi um dos filmes mais bizarros que eu já vi. O filme explora os fetiches de cada personagem e não conta as histórias deles, mas sim mostra o fetiche e o desejo estranho de cada um deles, e como o James explora todos eles com cada um ao decorrer do filme. Crash certamente não é para todos os públicos. Cronenberg transforma algo grotesco em uma reflexão bizarra sobre o corpo humano, tecnologia e os limites do desejo. Posso dizer que eu gostei bastante do filme, achei diferenciado e arriscado, algo que eu nunca tinha visto antes, a forma como mostram os desejos tão detalhadamente, sem ter receio ou medo de como o público pensaria. O James foi bem observador, silencioso, absorvendo aquilo tudo silenciosamente e meio que aceitando a estranheza de cada um ali. Começou pela doutora e depois foi se intensificando com outros personagens. Pode-se perceber que o desejo humano não tem limites, e isso que torna cada pessoa no mundo única, por seus desejos bizarros. Por fim, gostei bastante. Gosto de filmes silenciosos, onde mostram mais ações do que diálogos.