Diary
April 2026

Mildred Pierce
Alma em Suplício | MILDRED PIERCE dir. Michael Curtiz, 1945. ౨ৎ ⋆。˚ ⋆ Com esse dinheiro, eu posso ficar longe de você. De você e seus frangos, tortas e cozinhas. Tudo que cheira a gordura. Un classique est un classique; e Mrs. Crawford, caminhando ao longo do píer, lágrimas nos olhos, envolta nas ombreiras de Adrian, permanece, ainda hoje, hors du commun. As ombreiras, o casaco de pele, os sapatos atados ao tornozelo — carinhosamente batizados de fuck me — compõem a identidade visual de Crawford. É em Alma em Suplício que se opera a transmutação: Mrs. Crawford deixa de ser vista como simples estrela para se afirmar como uma real actress, no sentido mais pleno e exigente do termo. Adaptado de James M. Cain e realizado por Michael Curtis, cineasta capaz de fazer cerca de cento e cinquenta filmes e transitar por todos os gêneros com notável segurança, Alma em Suplício é, antes de tudo, um exercício de dor. Curtiz encontra aqui uma forma particularmente rigorosa de narrar a via crucis de Mildred Pierce, mulher que se ergue contra as circunstâncias não apenas por ambição, mas sobretudo por devoção: oferecer à filha, Veda, aquilo que lhe foi negado. Se é verdade que estamos, sem dúvida, diante de um filme noir que começa como todo noir: pelo final. Não convém, contudo, apressarmo-nos em classificá-lo. Alma em Suplício escapa das convenções do gênero ao qual, à primeira vista, pareceria pertencer. Há nele um gesto de inversão que não deixa intacto o esquema clássico do gênero. Recordemos, ainda que brevemente, o esquema clássico gênero noir: o homem arrastado à perdição por uma mulher, fascinado, subjugado, conduzido à ruína por uma figura feminina cuja fatalidade se manifesta no rastro de destruição que deixa atrás de si. Ora, aqui, a lógica é outra. Não é o desejo erótico que conduz à perdição, mas o amor materno. A figura fatal desloca-se. Não há mulher fatal no filme, mas uma filha. Veda ocupa esse lugar com uma frieza que nada deve às grandes femmes fatales do cinema americano. Mildred, por sua vez, submete-se: suporta humilhações, come o pão que o diabo amassou, tudo em nome desse vínculo. Se o mecanismo ainda assim é o mesmo, a sua natureza se transforma profundamente. E talvez mais perturbadora, precisamente porque mais próxima. Pois quem ousaria impor limites ao amor de uma mãe? A identificação, nesse ponto, não é apenas possível; ela se impõe. E é precisamente dessa proximidade que nasce o desconforto. Faz dois anos que assisti Alma em Suplício, num domingo à noite. Não era, à primeira vista, o tipo de história destinada a me entusiasmar. E, no entanto, revi o filme quatro vezes; tudo permanece intacto na minha memória, e pouco importa quantas vezes eu o reveja: sempre me deslumbra Mrs. Crawford, envolta em seu casaco de pele, caminhando sozinha, os olhos marejados. Mistério e fascinação. Joan me conquistou desde o primeiro instante. Desde então, amo os casacos de pele. E os saltos fuck me de Crawford. E, sobretudo, os olhares — aqueles olhos lacrimejantes, dilatados pela ferida indizível da ingratidão da filha. Eis Mildred Pierce: a mulher que James M. Cain criou para amar e, quem sabe, ser amada.

Rear Window

Ticket of No Return
Retrato de uma bêbada. Caminho sem volta (Bildnis einer Trinkerin) | TICKET NO RETURN dir. Ulrike Ottinger, 1979. ౨ৎ ⋆。˚ ⋆ Ela queria esquecer seu passado ou melhor, abandoná-lo como uma casa a ser demolida. Concentrar todas as suas forças em um caso. O caso dela. Era seu desejo finalmente seguir seu destino. ୨୧⋆。˚ ⋆ ALLER JAMAIS RETOUR Em Retrato de uma bêbada. Caminho sem volta, Tabea Blumenschein interpreta Sie (ela, em alemão), uma mulher rica, sem nome e enigmática, de grande beleza, de graça antiga e proporções rafaelescas, uma mulher, criada como nenhuma outra, vestida de forma extremamente luxuosa e extravagante em um filme experimental. Quando digo que este filme é experimental, não estou brincando. Sie nunca fala; em vez disso, usa mímica ou narrações em off para expressar sua opinião quando não está fazendo o que mais gosta: beber. No início do filme a protagonista deixa La Rotonda em um dia ensolarado, comprando uma passagem de ida para Berlim-Tegel com o objetivo de "esquecer seu passado" e seguir sua paixão: Sua paixão era beber, viver para beber, uma vida bêbada. Vida de bêbado. ୨୧⋆。˚ ⋆ Tabea Blumenschein é de outro mundo. Dado que ela não tem permissão para falar durante todo o filme, ela transmite tanta personalidade como "Ela" que você nunca se pergunta quais são suas motivações ou qual seu estado emocional. Ela é totalmente apática, é como se ela flutuasse diante a sociedade. E mesmo indiferente ao mundo, ela se importa com as pessoas. De qualquer forma, o filme é uma obra-prima experimental e não é para todos. Retrato de uma bêbada. Caminho sem volta é uma obra-prima incategorizável, tão sui generis que as influências parecem quase irrelevantes para a síntese alcançada.

The Goddesses
As Deusas | THE GODDESSES dir. Walter Hugo Khouri, 1972. ౨ৎ ⋆。˚ ⋆ “O homem não tem nem destino nem lugar privilegiado no Universo. Se ele não existisse não faria a menor falta na natureza.” Em As Deusas, Angela é uma mulher instável, que acaba de passar por um processo de colapso nervoso e parte para um período de descanso, junto ao marido, Paulo, na casa de campo de sua psiquiatra e terapeuta, Dra. Ana. As crises conjugais e pessoais, no entanto, se intensificarão, sobretudo com a chegada da dona da casa, o que colocará o casal em rota de colisão com seus desejos reprimidos e seus fantasmas do passado. Trabalhando com apenas três personagens, Khouri passou a confiar na improvisação e na sua intuição criativa para criar filmes eróticos existencialistas, mais do que nas produções elaboradas e cuidadosamente roteirizadas, como nos anos anteriores. Em As Deusas, Walter Hugo Khouri parece perseguir, à sua maneira, um gesto semelhante ao de Bergman em Persona: o desmonte progressivo das máscaras sociais, até que delas escapem desejos inconfessáveis e conflitos íntimos. Sua direção, atravessada por inquietações psicológicas, dialoga com ecos de Bergman, Antonioni e Pasolini, mas encontra um caminho próprio ao transformar o silêncio em matéria dramática. Aqui, mais do que as palavras, são os closes insistentes, os zoom-ins e a composição dos enquadramentos que conduzem o espectador a esse território rarefeito, onde o vazio burguês se revela como uma espécie de doença latente. O erotismo, por sua vez, não surge como mero ornamento, mas como instrumento de tensão e fascínio. Khouri o maneja com precisão, apoiando-se na força das imagens e na atmosfera construída pela fotografia, que envolve e desestabiliza. Nesse sentido, As Deusas não se limita a ser um filme perturbador; é, sobretudo, um filme perturbado, atravessado por inquietações que se recusam a se apaziguar.

Carnival of Souls
O Parque Macabro | CARNIVAL OF SOULS dir. Herk Harvey, 1962. ౨ৎ ⋆。˚ ⋆ Era como se por um momento eu não existisse. Como se eu não tivesse lugar nesse mundo, não fizesse parte da vida ao meu redor. ୨୧⋆。˚ ⋆ “(…) O mundo é tão diferente de dia. Mas de noite, suas fantasias ganham asas. E de dia volta tudo ao seu lugar.” As fantasias ganham asas em Carnival of Souls, que se aproxima menos de um filme convencional e mais de um desses sonhos vívidos que, ao despertar, parecem reais — mas logo se dissipam como ilusão. Se você assistiu Repulsa ao Sexo (Repulsion, 1965), de Polanski, e se interessou por sua atmosfera, é provável que encontre aqui uma experiência igualmente envolvente. Embora distintos em proposta, ambos pertencem ao início da década de 60 e compartilham um mesmo silêncio incômodo, além de uma abordagem centrada na deterioração mental feminina. Suas protagonistas apresentam semelhanças evidentes: Carol, em Repulsa ao Sexo, mergulha em uma frigidez e loucura que a afastam da realidade, enquanto Mary, em Carnival of Souls, permanece fisicamente presente, mas espiritualmente apartada após um acidente, como se habitasse um estado de “morte em vida”. Eu não me sinto capaz de estar com outras pessoas. Mais do que um filme de terror, Carnival of Souls se constrói como uma obra singular, tanto em sua produção independente quanto na forma como antecipa certos caminhos do gênero. Mary surge como uma protagonista que resiste aos papéis que lhe são impostos: não busca refúgio na figura masculina, mesmo quando essa possibilidade lhe é constantemente oferecida, nem se submete às autoridades que tentam enquadrá-la. Há, em sua postura, uma recusa silenciosa que sustenta toda a narrativa. Realizado com orçamento reduzido, o filme explora ao máximo seus próprios limites, transformando restrição em linguagem. Sua influência pode ser percebida em Night of the Living Dead, de George Romero, além de ecos que ressoam em criadores como David Lynch e Rod Serling, de The Twilight Zone. No fim, trata-se de uma obra que, dentro de suas possibilidades, realiza com precisão aquilo a que se propõe.

The Worst Person in the World
esse filme é total a fernanda

Ghost

Mulholland Drive
Cidade dos Sonhos (マルホランド・ドライブ) | MULLHOLAND DRIVE dir. David Lynch, 2001. ౨ৎ ⋆。˚ ⋆ A atitude de um homem... a atitude de um homem dita o rumo de sua vida. ୨୧⋆。˚ ⋆ Surreal, onírico, desconcertante, fascinante. Qualquer um desses termos (ou todos eles juntos) servem para descrever Mullholand Drive. O filme é uma paisagem onírica surrealista na forma de um filme noir de Hollywood, e quanto menos sentido faz, mais nos prendemos à tela. David Lynch nos dá uma tarefa inicial: encontrar uma forma de lidar com a aparente confusão da narrativa, principalmente depois das mudanças abruptas que ocorrem no último terço do filme. Depois da estranha cena do clube Silêncio, o filme entra na sua segunda parta, entrando em convulsão: as personagens subitamente trocam de nome e mesmo o estilo da narrativa, até então linear e organizado cronologicamente, sofre uma transformação e se torna extremamente fragmentado e com marcação cronológica imprecisa. A segunda parte é o pesadelo da primeira e, ao mesmo tempo, a primeira parte do filme, é a fantasia da segunda. Enquanto a primeira parte é a parte dreamy e fantasiosa, a segunda parte é mais pé no chão. Mas nas duas há um ponto comum: o amor que Betty/Diane sente por Rita/Camilla, a acidentada da primeira parte. Ou seja, estamos sempre em território lynchiano, o terreno da paixão, terreno em que, não importa o que se faça, há que se sempre cumprir seu destino. A paixão aqui, leva até aquilo que os franceses chamam de effondrement, um tipo de afundamento, de desmoronamento. É o duplo desmoronamento de Betty/Diane que presenciamos. Em determinado momento do filme, as duas amantes vão assistir a um espetáculo; nele, o mestre de cerimônias fala: "Não há orquestra. Não há orquestra. Está tudo gravado". Isso resume a intenção do diretor porque diz: está tudo gravado, tudo determinado já de antemão. Não importa o que se faça, há de se eternamente chegar ao mesmo lugar. Nesse sentido, o que importa é muito menos a conseqüência da ação do que ela, como percepção e experiência, em si. E se esse é o tema que vem perpassando todo trabalho de Lynch, ele aqui atinge, talvez, seu ponto mais alto: porque cada elemento do seu Cidade dos Sonhos converge univocamente para um lugar, o cinema.

Bad Binoculars
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January 2026

Ariella
Ariella | A Paranoica dir. John Herbert, 1980. ౨ৎ ⋆。˚ ⋆ Há tanta gente nesta casa, e eu estou tão só. Todos aqui me ignoram; parece que sou uma intrusa. Por quê? Suspeito de coisas sobre as quais tenho medo até de pensar. A solidão me leva a imaginar coisas. Loucura. Loucura. Loucura. Ariella é um filme que faz parte de um momento do cinema nacional em que obras com temática mais erótica e psicológica começaram a explorar histórias provocativas, diferenciando-se das tradicionais comédias e dramas familiares que dominavam a tela. Ariella é a própria personificação da “paranoia”, tanto que o filme foi baseado no livro de Cassandra Rios, cujo título é A Paranóica. A vingança de Ariella não tem conclusão, e o filme tem apenas dois pontos altos: Christiane Torloni e o gostosão do Herson Capri.

Kyiv Frescoes
É um curta lindo e causa uma sensação semelhante à de caminhar por um museu de arte. ౨ৎ ⋆。˚ ⋆

Bardot et Godard
Seu objeto é Brigitte Bardot. Fizemos filmes com Bardot, filmes sobre Bardot: O Desprezo, o filme de Bardot, porque é o filme da mulher tal como Godard a vê e tal como Bardot a encarna. Se o fenômeno Bardot vier a representar, mais tarde, algo no cinema, ao mesmo nível de Garbo ou Dietrich, talvez seja em O Desprezo que o encontraremos.

Paparazzi
jean-luc godard pai de menina (brigitte bardot)

The Sound of Music
A Noviça Rebelde (The Sound of Music) | Música no Coração dir. Robert Wise, 1965. ♡. ݁⊹ Em nome do Pai (A Noviça Rebelde), do Filho (O Mágico de Oz) e do Espírito Santo (Mary Poppins). Estava realmente precisando assistir a um filme leve como esse para aquecer meu coração, e A Noviça Rebelde é o melhor filme para aquecer corações. Isso é tudo, porque não há mais palavras para descrever esse belo musical.

The Truth
brigitte bardot tu é artista porra

Rosemary's Baby
coitada

Basic Instinct
Eu seria muito estúpida se escrevesse um livro sobre assassinato e depois matasse alguém exatamente do mesmo modo, estaria me denunciando como assassina. eu não sou estúpida!୨୧⋆。˚ ⋆

The Bear and the Doll
O Urso e a Boneca (The Bear and the Doll) | L'Ours et la Poupée dir. Michel Deville, 1970. ౨ৎ ⋆。˚ ⋆ – Você costuma estrupar homens? – Só os raros que não me estrupam. Esse filme me cativou do início ao fim — definitivamente um dos filmes mais divertidos de Brigitte. O Urso e a Boneca é um filme de comédia romântica onde Bardot está sendo bonita e caótica sem esforço por 1 hora seguida. Este é um filme de conforto perfeito. ♡. ݁⊹ – Você me acha tão feia. – Sim. – Mentiroso. Tem um nariz de pequeno mentiroso. Lindos olhos de mentiroso. Os lábios de mentiroso. Antes, na grama, eu não era feia? – Estava muito escuro para ver. Brigitte Bardot, nesse filme, mostra que se cansou de comer o pão que o diabo amassou nas mãos desses padrões e, agora, ela quer um feio arrumadinho. Eu simplesmente adorei a personagem dela, Felícia — e que travessa ela é! Ela corta a energia para ele não ir embora, leva-o para casa (e ainda fica lá), corta o fio do telefone para que ele não ligue para um táxi e a leve de volta para casa. Brigitte Bardot está no auge da sua persona: livre, provocadora, infantil e perigosa ao mesmo tempo. Mas, definitivamente, a minha cena favorita é aquela em que os dois estão correndo atrás da cachorra e ela bota o pé para ele cair. Ela é a boneca caprichosa que manda, manipula, cria armadilhas emocionais e físicas; ele é o homem comum, deslocado, meio patético, que acaba rendido no final. Felícia age como quem testa limites o tempo todo, tudo isso transforma o filme numa espécie de jogo de caça como o título sugere. Obs: entrou na lista dos meus filmes favoritos.

The Handmaiden
A Criada (아가씨) | AH-GA-SSI dir. Park Chan-wook, 2016. ౨ৎ ⋆。˚ ⋆ Assim como Perfect Blue, de Satoshi Kon, A Criada é um filme inteiramente construído em twists sucessivos, trambique seguido de trambique. O filme se passa na Coreia durante a década de 1930, mais especificamente no período da ocupação japonesa. O roteiro do filme é baseado no livro Fingersmith (2002), de Sarah Waters, e tem seu cenário original da Era Vitoriana alterado para a Coreia ocupada, na qual o diretor Chan-wook Park realiza o seu jogo de enganações que surpreende o espectador a cada conjunto de mais ou menos 40 minutos, onde os pontos de vista são alterados e onde descobrimos coisas que haviam sido escondidas de nós na parte anterior, ou mostradas pela metade, a fim de criar uma impressão parcialmente verdadeira (já que a primeira vez que vemos essas coisas, elas são reais, somos nós que não as entendemos como encenação). A certeza que temos dos fatos que vão acontecendo no filme vai se esvaindo a cada revelação, sendo triturada e dissecada. Chega em dado momento do filme em que o espectador se rende às reviravoltas e deixa de tentar adivinhar o caminho que virá a partir dali, deleitando-se em ser surpreendido com novos acontecimentos à medida que grandes doses de erotismo e violência são adicionadas, deixando tudo mais intenso. A Criada é um filme que se revela e se constrói aos poucos. Escrito pelo diretor em parceria com Seo-kyeong Jeong, grande parte da narrativa tem uma dimensão operística, onde os personagens se revezam em solilóquios individuais que revelam seus objetivos, sejam eles dignos ou torpes. Por vezes, a narrativa parece assumir até mesmo um tom novelesco, isso porque a história se estende um pouco mais do que devia, totalizando duas horas e meia de duração e até o final nos surpreendendo com plot-twists. “A Criada” é um filme que exige fôlego e investimento dos espectadores, mas sabe como recompensá-los com suas belas passagens, deliciosos alívios cômicos e uma história poderosa e envolvente. Tendo a sagacidade de adaptar um romance ocidental ao universo coreano.

The Wizard of Oz
it really was no miracle, what happened was just this ୨୧⋆。˚ ⋆ ౨ৎ a dorothy é uma fofa aqui, mas ela se torna uma psicopata quando você tem conhecimento de toda a história de wicked (por causa do musical). obs: amo a cena da glinda fingindo normalidade enquanto a dorothy canta it really was no miracle, achei bastante legal reassistir o filme sabendo que o fiyero é o homem espantalho! ♡