Diary Entry forUnforgiven
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Unforgiven
Hero or villain? Good or bad? A classic western which blurs the line between what you believe in and what you don’t. F*ck the cop, Little Bill, I’m so glad he dies. Fantastic performances and a riveting tale.
Unforgiven
O ápice de Unforgiven é quando Delilah (Anna Devine) testemunha a humanidade do protagonista de Eastwood através de um split diopter (https://encrypted-tbn0.gstatic.com/images?q=tbn:ANd9GcQ4qLbkGHMonFT6P4sL0HNzKDaq2aF5Hgd1br5hjn3tnlq3fh_XUexwGk0&s=10) que reafirma a doçura do gesto minucioso e evidencia precisamente esse centro da encenação; menos na investigação da brutalidade desse mundo disposto em frente a câmera e mais na sensibilidade que resiste a ele, mas quase sempre não enxergamos.
Unforgiven
Na imagem que abre Os Imperdoáveis, vemos o pistoleiro William Munny no horizonte abrir uma cova debaixo de uma árvore para enterrar sua esposa, Claudia; já a última cena do longa é Munny retornando a lápide como um gesto de arrependimento e em busca de perdão, um lamento silencioso pelo que precisou fazer e o adeus definitivo. Além da dimensão dramática estabelecida, a rima visual é comunicativa do cenário na qual o faroeste derradeiro de Clint Eastwood ocupa em sua filmografia: décadas após a sua consagração como ícone do Western, o cineasta estadunidense agora se debruça sobre a iconografia consolidada do gênero em uma lógica menos interessada nas relações de entretenimento e ambicionando notificar o cerne do que movimenta essas premissas: a violência inerentemente ligada ao ideal masculinista. Homens empenhados em resolverem seus impasses e conflitos através da barbárie - o cowboy que tenta desfigurar uma prostituta pela mesma ter ridicularizado suas genitais, o jovem obcecado pela brutalidade que desaba ao constatar que tirou a vida de alguém, o personagem de Hackman que não mede esforços em torturar um prisioneiro até sua morte - , incapazes de serem civilizados e sempre propensos a agirem como selvagens. No meio disso está Munny, um ex-assassino que prometeu a falecida esposa que jamais voltaria a beber e matar novamente se vendo em uma espiral de crueldade que o seduz constantemente - a imagem da garrafa em primeiro plano, porém desfocada, espelha essa condição; uma corda bamba de tentação que tampouco o protagonista de Eastwood se permite desequilibrar-se. A partir da missão conferida a ele e seus dois colegas, Eastwood vai divagar em uma chave pessimista acerca dessa violência como pathos no território estadunidense através de imagens que perduram de modo espiritual, seja o presságio na troca de olhares entre Ned e Sally até os close-ups que enfatizam essas reações de angústia ao testemunhar a inevitabilidade das ações agressivas colapsando em um ciclo interminável. Uma das cenas que ratificam a vocação para sensibilidade do cineasta é o diálogo entre Delilah e Munny, onde a proximidade da câmera confere uma doçura escassa em terras engolidas pela perversidade dos homens, onde seus atos bárbaros ecoam por toda a parte - nisso, inclusive, é fascinante perceber como os barulhos de pistolas e rifles ceifam o silêncio pacífico dos ambientes com visceralidade. Mais do que revisionismo, Unforgiven é um funeral; os preparativos para o enterro desse ideal do herói estadunidense - o plano de Munny com a bandeira dos Estados Unidos após a chacina no bar, por exemplo - e do mito americano construído através do sangue derramado. Acima de tudo, o último adeus do pistoleiro sem nome.
Unforgiven
Rest in Peace, Gene Hackman.
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