Diary Entry forThe Secret Agent
I was completely locked in, carried forward by restless images and sound until the ending punched the air out of me.
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The Secret Agent
what a beautiful film! beautifully shot and with such a vibrant colour palette. the mystery of the plot and the 70s setting reminded me of the nice guyswhich really made me appreciate this movie more. moura should win the best actor oscar for this!
The Secret Agent
foi LINDO ver meu recife na tela do cinema!! dona sebastiana eu te amo !
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As memórias de quem nunca existiu! Eu particularmente não sou um fã da filmografia do KMF, mas também não odeio nada dele, inclusive gosto de Retratos Fantasmas, mas o fato de ser um documentário de 1h40 sobre algo que com 1h20 já cansa... Imagina a minha surpresa em ver um filme que tem a mesma premissa, mas com 1h a mais!? Eu acho interessante como o KMF explora um período tão sombrio de forma consideravelmente leve, mas tentando ao máximo impor uma visão de cinema muito específica, o que hora funciona e o que hora simplesmente não casa. A priore a divisão por capítulos permite explorar e encontrar diferentes vertentes de uma história que não aparenta ter fim, apenas um começo. A introdução no posto de gasolina é uma das coisas mais interessantes do filme de longe, tanto textualmente quanto em termos de encenação. A tensão da abordagem policial, o corpo que tá deitado e coberto por uma tira de papelão há pelo menos 3 dias e como isso se torna motor de paranóia desespero futuro. Só é uma pena que conforme o filme avança, ele parece sofrer de um TDAH narrativo meio intenso... A priore temos todo um organismo vivo que é a pensão da dona Sebastiana (inclusive a melhor personagem do filme disparado), é um núcleo tão rico, com tantas personas interessantes que quando o KMF sai disso pra ir para uma lógica mais ampla... Ele me perde um pouco. Toda a questão da perna encontrada dentro de um tubarão, a forma como as autoridades querem abafar aquilo e transformar todo esse espaço midiático em Pânico moral absurdo (a cena da perna cabeluda é uma das melhores idem, cinema de gênero brasileiro) e a comunhão das pessoas pra rir daquele absurdo são os momentos onde o KMF mais abraça a humanidade e coletivo daqueles personagens, só é uma pena que o protagonista em si não é lá grandes coisas, não tanto pelo Wagner Moura, mas sim porque o diretor tem um avatar daquele mundo e daquela grande conspiração que o tornam um agente secreto, mas de forma geral... Quem é Armando? O que ele é? Não sou contra a existência do protagonista mais passivo nas ações e tals, mas sinto falta de uma urgência que me grite quem é esse personagem, porque sua jornada deve ser contada!? Quando o filme se permite falar mais sobre o mundo ao seu redor temos uma faca de dois gumes. Por um lado temos essas esquetes de injustiças sociais como o caso da patroa que deixou a filha da empregada morrer e cria toda uma cena de um drama que é um comentário válido, mas está jogado e em outros o monólogo sobre o passado de dona Sebastiana que é tão rico, mas que morre na zona do diálogo e sem falar que quando vai abordar a questão do carnaval de rua... Ele soa quase que mecânico. É um carnaval para gringo entender que mesmo num período de ditadura habemus festa. Poderia me demorar por horas sobre o personagem do Udo Kier também que é esse personagem, o soldado alemão que é um grande troféu vivo de guerra... Pra que? E até a questão mais técnica me agrada, mas novamente com ressalvas. Ao mesmo tempo que o diretor parece ter noção de profundidade de campo na hora de filmar espaços (o posto de gasolina, o prédio público, a sala de aula que encontram a perna no tubarão, o necrotério e o parque com aquele traveling suave que não esconde nada) ele também faz alguns exercícios que se debruça sobre um De Palma da vida. O uso do Split Diopter é bem primário aqui, hora pra mostrar a perspectiva de uma criança com o pai (não funciona tanto), hora pra mostrar um perseguidor no meio da multidão (aí já é mais interessante) e toda a reta final me faz pensar como o KMF consegue ser diretor quando não tá com a cabeça presa na ego trip que o Twitter poderia dar a ele. Se em determinado momento o filme possui uma cena de boteco extremamente cansada e ruim, ruim mesmo, com uma fraca tensão e todo um jogo de ameaças implícitas com a personagem da Alice Carvalho explodindo e que, Jesus Cristo que negócio ruim. A reta final de "O Agente Secreto" possui um dos anticlímax mais tensos que você pode lembrar. A caçada por Armando que vira uma pequena chacina, entra e sai de corredores, a tensão constante do próximo tiro, da próxima vida tirada, a cena do jornal depositada sobre um corpo com a manchete "91 mortos no carnaval até agora", são os momentos que te fazem ver como o KMF é diretor mesmo, pena que o anticlímax do filme gere um epílogo que... Pra ser bem sincero... Eu não sei se é porque realmente os anos 2020 a gente tá numa era mais feia pra se filmar cinema, mas é complicado quando vamos de um Brasil dos anos 70 com uma recriação tão interessante para um momento que mais lembra o Padilha fazendo Tropa de Elite do que toda a personalidade que o KMF tinha até então... Pra bem ou pra mal. Infelizmente não acho que "O Agente Secreto" possua tanta coisa a se falar no momento final. Toda a jornada da pesquisadora que vai atrás do filho do Armando no final, aquele epílogo que lembra demais o final de "Ainda Estou Aqui", mas ao invés da propaganda do Itaú/Unibanco a gente tem a propaganda de qualquer banco de sangue, Hemoce um beijo, e não tem momentos o suficiente que o tornem memoráveis de "Eu adorava ouvir o Armando nos meus headphones" até "Você lembra do meu pai mais do que eu mesmo", é um filme que quer se apoiar em uma memória alheia que para além de ser um avatar e um espectador do mundo... Quem você diz que é O Agente Secreto... Dona Sebastiana obviamente, mas o filme quer usar 2h40 pra dizer que é o personagem do Wagner Moura. As memórias de quem nunca existiu somadas à quadragésima vez que o Kleber Mendonça Filho precisa falar que a bodega da esquina que agora vende água já foi um cinema. É ruim? Não. É bom? Não. É um filme? Com certeza o melhor brasileiro até acabar o período de premiações e a internet tiver algo pra se degladiar depois!
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Comentários soltos a respeito do filme: - Talvez o longa sobre permanência da memória e a necessidade que esse movimento exerce na resistência da história mais perspicaz da filmografia do Kleber desde Paz a Esta Casa. Duas cenas fundamentais nesse processo envolvem o filho de Armando/Marcelo: a primeira, ao personagem do pai ler a carta em que o filho afirma já estar "esquecendo da mamãe" e a segunda, no presente, onde o mesmo já adulto pontua não lembrar de quase nada do pai. Mas, para a minha grata surpresa, essa dinâmica está firmemente consolidada em suas imagens invasivas que a montagem sobrepõe em segmentos pontuais, em fotos e retratos que a câmera faz questão de enfatizar em zooms ou aproximações, está no cerne do conflito dramático que faz o protagonista de Moura continuar em Recife, culminando em sua tragédia - aquela que o dispositivo não filma, mas reverbera na manchete de um jornal, visto em uma digitalização pelo notebook. - Pensando nessa perspectiva da permanência da memória, é curioso que o último plano do filme seja mais representativo a respeito do abandono dos cinemas de rua e a reutilização de suas estruturas do que Retratos Fantasmas inteiro. O lampejo de sagacidade que faltou ao Kleber naquele documentário é recuperado aqui. - Fantástico como é um filme entregue a um sentimento vertiginoso de paranóia constante, potencializada por uma decupagem que se apropria de uma meticulosidade na organização da mise-en-scène, mas sempre instiga suas imagens com um acúmulo de atmosfera. A analogia mais simplória são as alusões a tubarão: existe um temor iminente de algo que se aproxima lentamente, que vai intimidando até sua catarse definitiva no clímax (ou melhor: anti-clímax). - Kleber trabalha seu acúmulo justamente em uma montagem sobrecarregada de planos e imagens que se atropelam e se sobrepõem - o que é paradoxal, uma vez que é um longa muito positivamente controlado, até suave em como desdobra cada ação até a terceira parte; sua câmera se reorganiza pelos espaços, sempre muito fluida em percorrer os cenários seguindo os eventos, continuamente desconfiada de gestos inofensivos, olhares, entradas e saídas de personagens no campo e assombrada por aquilo que reside no extracampo. Há uma recorrência em close-ups médios que gerenciam esse enclausuramento e destacam ainda mais os olhares nervosos de Armando para o seu redor. - Muito vai se destacar a performance de Wagner Moura - extraordinário em transmitir a exaustão e a carga de dor e melancolia que se fundem ao receio de seus olhares em alerta - e, por isso mesmo, acho válido abrir um espaço para ressaltar o flashback com a Alice Carvalho. Se existia alguém com dúvida do talento dela, essa curta sequência é a resposta.
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