Diary Entry forSame Old West
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Same Old West
"Você quer liberdade, mas não sabe libertar!" A versão brasileira do "Pede desculpas faroeste. Peço não!". Se Comeback é o faroeste geriátrico que pega muito de Eastwood, Oeste Outra Vez é um bom, e sem vergonha, faroeste revisionista que não abandona seus tropos, sua estética e seu gênero em prol de um "bem fazer". Um filme que se baseia inteiramente na idéia de uma terra de homens, o homem macho, o homem "de verdade " e a cena inicial da disputa de dois homens, onde a única mulher em tela vai embora com um zoom out que destaca sua distância daquele espaço é muito simbólica. Muito me peguei pensando sobre os faroestes de Boetticher, especificamente Entardecer Sangrento, Cavalgada Trágica e 7 Homens Sem Destino. Ambos são filmes que pegam essas figuras de imponência masculina e os contorce e os distorce de forma que só sobra a violência. O ciúmes e a solidão que te faz tratar mulher como o jeito, o homem de verdade que manda matar ao invés de resolver pendências e o trato da mulher como objeto, em determinados momentos não é incomum a palavra "gostar" e "possuir" ao se referir a mulheres. O ideal de mulher que não se sustenta, violência como resposta e a forma como o diretor trabalha verborragia e espaços naturais como elemento cênico é tão bonito quanto místico. A forma como o filme transita de uma escuridão natural para uma luminosidade que destaca esses espaços como belos, mas também perigosos. O protagonista de Ângelo Antônio é tão fracassado quanto todo seu entorno. O assassino mais velho que diz ter uma fama de matador, o matador de Daniel Porpino e até um personagem tardiamente apresentado por Antônio Pitanga. São homens vazios, esse oeste é bonito, mas é solitário, mulheres são tão figuração quanto aquela paisagem bonita e igualmente perigosas, acho genuinamente bonito o final que é uma inversão do começo do longa anterior. Se Comeback é um zoom in no bar, com um brega melancólico que dita o tom derrotista para a chegada do Comeback. Em Oeste Outra Vez, o bar é um momento de júbilo e Tudo Passará do Nelson Ned dita essa jornada de forma que ao invés da melancolia, uma catarse pessoal ganha o todo, então todos comemoram de forma indireta algo que passou, algo que passará! Budd Boetticher, Clint Eastwood e John Ford. Erico Rassi ama o cinema de faroeste e cria o seu próprio com nossa identidade, nossos espaços, nossas paisagens e dilemas que parecem ser universais. A correlação de uma paisagem bruta e seca em relação a seus personagens masculinos que anseiam por afeto, por corpos femininos que são nada além de objetos e essa odisseia rumo ao Oeste Outra Vez do título desenha paisagens que são bonitas, mas perigosas. Personagens que parecem inofensivos, mas são machucados e masculinidades que proclamam uma culpa que não lhes pertence, mas o rancor e dor sim. Entre as transições com músicas brega muito bem colocadas, um trabalho de fotografia que utiliza de escuridão e luz de forma tão bonita e uma sisudez que, propositalmente ou não, soa até cômico, Oeste Outra Vez é um baita dum Faroeste. Espero pelo próximo pra ele fechar a trilogia dele!
Same Old West
O vazio do indivíduo homem, o conceito de mulher como propriedade e o desafio aos arquétipos de gênero masculino que só o faroeste pode apresentar e desafiar de forma frontal, mas sem aquela baboseira do homem que pede desculpas por ser homem ou a masculinidade tóxica que se desenha da caricatura. É a visão de homens com outros homens, a única mulher do filme não tem falas, seu único Take é dela indo embora com "Eu Também Sou Sentimental" do Nelson Ned e é isso que a mulher representa aqui, adereço de luxo, de afeto um objeto que é conquistado, mas só valorizado na perda. A cena com o banheiro entulhado de lixo é a imagem mais forte nesse sentido e todas as belas paisagens são vazias mesmo repletas de tanta cor. Mais poderoso ainda na segunda vez!
Same Old West
Erico Rassi tem um total controle da ambientação e fotografia desse árido "Faroeste Feijoada", mas um roteiro mais robusto poderia ter dado um ritmo melhor à obra, mesmo com o uso do silêncio e vazio intencionais. Todos ali são reféns da decadente masculinidade onde se parte do principio de que qualquer mulher deve ser tratada como uma propriedade. Entretanto, o egoísmo que mata o amor e a consideração de qualquer ser humano, é também o que motiva o fim de muitos relacionamentos dos envolvidos na trama. O gênero do faroeste foi usado nos EUA como forma de construir uma identidade nacional a partir do arquétipo modelo do homem imperialista, conquistador e de poucas palavras. Todavia, o filme brasileiro subverte esse ideal de virilidade que esteve tão presente nos antigos "Bang Bangs", pois nos dias de hoje essas figuras estão ultrapassadas e condenadas a vagar na solidão de suas vidas. O uso da música de Nelson Ned "Tudo Passará" no bar lava a alma do personagem Totó quando o mesmo se da conta que não há nada que se possa fazer sobre a sua ex-companheira. O roteiro ironiza as ações dos personagens movidos a possessividade onde os mesmos ali passando por situações muito próximas não conseguem estabelecer diálogos simples e conciliadores. O clímax é também arrastado para o final com certa hipocrisia na morte de um dos envolvidos que serve de espelho para Totó e Jerominho. Contudo, toda a construção de um ambiente pobre, sujo e largado pela modernidade do centro oeste em meio a vegetação seca criam o arquétipo de bêbados, descuidados e ressentidos a procura de uma companheira para suas vidas.
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