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The Twilight Saga: Breaking Dawn - Part 2

Parte 2

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The Twilight Saga: Breaking Dawn - Part 2

O encerramento da saga em Amanhecer - Parte 2 é, sem dúvida, o momento mais "ame ou odeie" de toda a franquia, mas é impossível negar que o Bill Condon entregou um final com uma energia que nenhum dos outros filmes teve. Depois de quatro filmes de pura antecipação, finalmente vemos a Bella como vampira, e a performance da Kristen Stewart muda completamente; ela deixa de lado aquela vulnerabilidade constante para assumir uma postura poderosa e confiante que é muito satisfatória de assistir. Ver a dinâmica dela testando seus novos sentidos e sua força traz um frescor necessário para a história. Mas o que realmente define esse filme e o torna memorável para qualquer um que sentou no cinema em 2012 é a sequência da batalha final. A decisão de incluir aquele "twist" que não estava no livro foi um golpe de mestre do roteiro, porque conseguiu chocar até o fã mais dedicado que já sabia o final de cor. É um dos poucos momentos da saga onde o perigo parece absoluto e as consequências são brutais, criando um clímax emocionalmente exaustivo e visualmente impactante que compensa anos de desenvolvimento de personagens. No fim, o filme cumpre o seu papel de celebração. A montagem final, ao som de "A Thousand Years", é um aceno carinhoso para quem acompanhou a jornada desde o filtro azul de Forks lá em 2008. Pode ter seus momentos de CGI questionável — sim, o bebê Renesmee continua sendo um tanto perturbador —, mas o encerramento consegue ser épico e íntimo ao mesmo tempo. É um final grandioso, brega na medida certa e totalmente fiel ao espírito da obra, fechando o ciclo com uma sensação de dever cumprido e uma nostalgia que bate forte nos créditos finais.

Harry Potter and the Deathly Hallows: Part 2

"Aquele que restou para derrotar o Senhor das Trevas."

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Harry Potter and the Deathly Hallows: Part 2

Se a Parte 1 era o silêncio e o isolamento, Harry Potter e as Relíquias da Morte: Parte 2 é o grito e a catarse. David Yates entrega aqui um filme que abandona a jornada contemplativa para se transformar em um épico de guerra, onde cada corredor de Hogwarts, antes símbolo de segurança, vira um campo de batalha. É o encerramento de um ciclo de dez anos que consegue equilibrar o espetáculo visual com o peso emocional de ver personagens que cresceram conosco enfrentando a mortalidade de frente. O grande triunfo deste filme não está apenas nos feitiços em larga escala, mas na humanidade que transparece em meio ao caos. A sequência das memórias de Severo Snape é, sem dúvida, o coração emocional da obra, transformando anos de rancor em uma das redenções mais complexas do cinema pop. É o momento em que entendemos que a saga nunca foi apenas sobre "o bem contra o mal", mas sobre as escolhas difíceis e os sacrifícios silenciosos feitos por amor. Alan Rickman entrega uma performance devastadora que ancora o filme antes do confronto final. O desfecho no pátio de Hogwarts, embora divirta-se com as liberdades poéticas em relação ao livro, sela o destino de Harry de forma definitiva: a aceitação da morte para que os outros pudessem viver. É um filme que não tem medo de ser sombrio e de mostrar as cicatrizes — físicas e emocionais — de uma geração marcada pela guerra. Ao final, o epílogo nos trilhos da plataforma 9 ¾ traz aquele aperto no peito de quem se despede de um velho amigo, deixando a sensação de que, embora a história tenha acabado, Hogwarts sempre estará lá para quem precisar voltar.

Harry Potter and the Half-Blood Prince

“I must obey my master.”

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Harry Potter and the Half-Blood Prince

O sexto ano tem um gosto estranho. Não é mais aquele medo barulhento dos filmes anteriores. É um medo silencioso, que anda pelos corredores como se estivesse esperando alguém tropeçar nele. E o pior é que todo mundo finge que está tudo bem. Até o Dumbledore, que passa o filme inteiro com aquele olhar de quem sabe mais do que deveria — e menos do que gostaria. O Harry está diferente. Não é mais o garoto que reage ao perigo; é alguém que começa a entender que o perigo está dentro das pessoas, não só nas criaturas. O Snape, por exemplo. Ele passa o filme inteiro como um enigma ambulante, e quando você acha que entendeu, ele vira outra coisa. Ou talvez sempre tenha sido. E aí tem o Draco. Nunca vi um personagem tão quebrado tentando parecer inteiro. Ele anda pelo castelo como se carregasse um segredo que pesa mais que ele. E pesa mesmo. O Slughorn é quase um alívio cômico, mas um alívio triste. Ele é engraçado, mas vive fugindo da própria culpa — e isso deixa tudo mais humano do que eu lembrava. Visualmente, o filme é lindo de um jeito melancólico. Tudo parece meio lavado, meio frio, como se o mundo mágico estivesse perdendo a cor aos poucos. E talvez estivesse mesmo. A cena da caverna… não sei nem como descrever. É desconfortável, é cruel, é necessária. É o momento em que o Harry percebe que o herói que ele admira também é humano — e que isso dói. E o final… Bom, o final é aquele tipo de silêncio que fica preso na garganta. Não tem música épica, não tem discurso, não tem vitória. Só perda. E um castelo inteiro tentando entender como seguir em frente.

Harry Potter and the Goblet of Fire

“Dark and difficult times lie ahead.”

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Harry Potter and the Goblet of Fire

Revisitei o Torneio Tribruxo e fiquei com a sensação de que esse é o filme em que Hogwarts finalmente perde a inocência. Não de um jeito abrupto, mas como quem percebe, no meio de uma festa, que a música mudou e ninguém avisou. A primeira coisa que me bateu é como o filme parece sempre à beira do caos. O baile, o torneio, a imprensa sensacionalista, os professores surtando… tudo tem um ar de desorganização que combina com a idade dos personagens. Eles não são mais crianças, mas também não sabem ser adolescentes — e isso transborda em cada cena. O Harry passa boa parte do filme com aquela expressão de “por que isso está acontecendo comigo?”, e honestamente, dá pra entender. Ele é jogado num torneio mortal que ele nem deveria estar participando, cercado de gente que acha que ele está mentindo. É um tipo de solidão que não faz barulho, mas pesa. O Cedric Diggory funciona como um contraponto perfeito: gentil, competente, quase brilhante demais pra caber em Hogwarts. E talvez por isso o final seja tão devastador. A morte dele não é só um choque narrativo — é o momento em que o mundo mágico acorda de um sonho longo demais. Visualmente, o filme tem seus altos e baixos, mas quando acerta, acerta forte. A arena do dragão ainda é uma das sequências mais tensas da saga. A prova da água tem um clima quase onírico. E o labirinto… o labirinto é o ponto de virada. Não pelo que acontece dentro dele, mas pelo que acontece depois. A volta do Voldemort é filmada como um ritual desconfortável, quase íntimo demais. Ralph Fiennes chega com uma presença que engole a tela, e de repente tudo o que veio antes parece pequeno. É o momento em que a saga muda de tom — e o filme sabe disso. Saí com a sensação de que O Cálice de Fogo é o capítulo em que o mundo mágico finalmente admite que está quebrado. E, mesmo assim, continua.

Harry Potter and the Chamber of Secrets

“It is our choices, Harry, that show what we truly are.”

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Harry Potter and the Chamber of Secrets

Hoje voltei para a Câmara Secreta e tive aquela sensação estranha de revisitar um lugar que eu conheço bem, mas que sempre parece um pouco mais escuro do que eu lembrava. O segundo ano em Hogwarts tem um clima diferente — menos encantamento, mais tensão, como se o castelo estivesse segurando a respiração o tempo todo. A primeira coisa que me pegou foi como tudo começa meio caótico: o Dobby aparecendo do nada, o carro voador, a árvore que literalmente parte pra cima dos meninos. É como se o filme dissesse logo de cara: “relaxa não, porque esse ano vai ser puxado”. E realmente é. As mensagens escritas na parede, o medo espalhado pelos corredores, os alunos petrificados… Hogwarts nunca pareceu tão vulnerável. E isso faz o Harry parecer mais sozinho do que nunca, mesmo cercado de gente. É como se ele estivesse começando a entender o peso de ser quem é — e isso aparece no olhar dele, mais do que nas falas. O trio está mais afiado. A Hermione continua sendo a pessoa mais competente de toda a escola (adultos inclusos), o Ron está no auge do humor involuntário, e o Harry… bom, o Harry está descobrindo que coragem não é só enfrentar monstros, mas enfrentar dúvidas sobre si mesmo. E aí tem o Lockhart. Kenneth Branagh entrega um dos personagens mais deliciosamente irritantes da saga. Ele é tão narcisista que chega a ser fascinante. Toda vez que ele aparece, parece que o filme dá uma piscadinha irônica. A parte final, dentro da Câmara, ainda funciona muito bem. O basilisco é ameaçador, o diário do Tom Riddle é perturbador na medida certa, e a resolução tem aquele toque clássico de “Hogwarts quase caiu, mas tá tudo bem, até a próxima catástrofe”. Saí com a sensação de que A Câmara Secreta é o momento em que a saga começa a crescer de verdade. Ainda tem o brilho infantil, mas já dá pra sentir a sombra do que está por vir. E isso deixa o filme com um sabor agridoce que eu não percebia quando era mais novo.

Harry Potter and the Philosopher's Stone

nostalgia

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Harry Potter and the Philosopher's Stone

Rever Harry Potter e a Pedra Filosofal sempre me dá a sensação de voltar pra casa depois de muito tempo fora. O filme tem aquele charme de início de jornada, quando tudo ainda é novo — tanto pra gente quanto pro próprio Harry. É impossível não se envolver quando ele descobre que é um bruxo e finalmente encontra um lugar onde pertence. A direção do Chris Columbus deixa tudo com um clima acolhedor, quase natalino, e isso combina demais com a fase mais inocente da história. Hogwarts parece um sonho que ganhou forma: corredores intermináveis, quadros que conversam, aulas que misturam caos e magia… É um universo que dá vontade de morar dentro. O trio principal — Daniel Radcliffe, Emma Watson e Rupert Grint — ainda está cru, mas isso funciona a favor do filme. Eles realmente parecem crianças descobrindo tudo pela primeira vez, e isso deixa tudo mais autêntico. E claro, é impossível não mencionar o elenco adulto: Maggie Smith impecável, Alan Rickman roubando a cena com o Snape, e Richard Harris trazendo uma doçura única ao Dumbledore. A trilha do John Williams é praticamente um feitiço à parte. A música tema já carrega metade da magia do filme nas costas. E mesmo com efeitos que hoje entregam a idade, o filme continua funcionando porque o coração da história está intacto: amizade, coragem e a descoberta de que o mundo é muito maior do que parece. No fim, A Pedra Filosofal não é só o começo de uma saga — é o começo de um sentimento. Aquele que faz a gente lembrar de quando tudo parecia possível.

Close

close

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Close

Close é daqueles filmes que não só contam uma história — eles atravessam você. Acompanhamos Léo e Rémi, dois garotos de 13 anos cuja amizade é tão intensa e natural que parece impossível imaginar um sem o outro. E talvez seja justamente por isso que o impacto emocional do filme seja tão forte: ele fala sobre a delicadeza das relações na adolescência e sobre como o mundo, às vezes, é cruel com aquilo que é puro. A direção do Lukas Dhont é extremamente sensível. Ele filma os meninos com uma proximidade quase íntima, como se a câmera estivesse tentando proteger algo que já sabemos que vai se quebrar. E quando a pressão social começa a entrar — os olhares, os comentários, as suposições — a narrativa muda de tom de um jeito que dói, porque é real demais. O desempenho dos jovens atores, especialmente Eden Dambrine, é absurdo. Ele carrega o filme com uma vulnerabilidade que parece improvisada de tão natural. Há cenas em que ele não diz nada, mas você entende tudo só pelo olhar. É o tipo de atuação que fica com você dias depois. Visualmente, o filme é lindo. Os campos de flores, as cores suaves, a luz natural — tudo isso contrasta com o peso emocional da história, criando uma sensação de beleza que machuca. A trilha sonora é discreta, quase tímida, mas aparece nos momentos certos, como se estivesse respeitando o silêncio dos personagens. Close é um filme sobre amizade, perda, culpa e a dificuldade de lidar com sentimentos que nem sempre sabemos nomear. É delicado, devastador e profundamente humano. Não é um filme para “assistir e esquecer”. É um filme que te acompanha.

The Twilight Saga: Breaking Dawn - Part 1

Amanhecer - Parte 1

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The Twilight Saga: Breaking Dawn - Part 1

Amanhecer - Parte 1 é, de longe, o filme mais divisivo e visceral da saga, e eu adoro como o Bill Condon não teve medo de abraçar o lado "horror corporal" dessa história. Enquanto os filmes anteriores focavam na expectativa do romance, este aqui é sobre as consequências reais e muitas vezes assustadoras de se cruzar a linha entre o humano e o sobrenatural. O casamento e a lua de mel no Brasil trazem aquela estética de sonho que a gente esperava, mas a transição para o pesadelo da gravidez é feita de uma forma tão crua que chega a ser desconfortante de assistir. A atuação da Kristen Stewart aqui é digna de nota, especialmente pela transformação física da Bella. Ver a personagem definhando enquanto o bebê consome suas forças traz um peso dramático que a franquia ainda não tinha explorado com tanta intensidade. O filme consegue passar aquela sensação de claustrofobia e isolamento dentro da casa dos Cullen, onde ninguém sabe exatamente como lidar com uma situação que desafia as leis do mundo deles. É um drama familiar tenso, envolto em uma aura de tragédia iminente que mantém a gente grudado na tela. Mesmo com os momentos de efeitos especiais que envelheceram um pouco mal — como os lobos "conversando" por pensamento, que sempre quebra um pouco o clima —, o clímax do parto é uma das sequências mais memoráveis e bem dirigidas de toda a série. É caótico, sangrento e emocionante na medida certa. O filme termina no ponto exato para deixar o espectador ansioso, funcionando como uma ponte perfeita que destrói a Bella humana para finalmente dar lugar à versão que todos queriam ver. É um capítulo sombrio, estranho e essencialmente fiel ao tom melodramático e intenso dos livros.

Harry Potter and the Deathly Hallows: Part 1

"Aqui jaz Dobby, um elfo livre."

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Harry Potter and the Deathly Hallows: Part 1

Embora muita gente critique o ritmo mais arrastado desta primeira parte, existe algo profundamente corajoso em transformar o início do fim de uma saga épica em um drama de estrada introspectivo e melancólico. David Yates abandona de vez o conforto de Hogwarts para nos jogar em um mundo cinzento, onde o perigo não vem apenas dos Comensais da Morte, mas também do silêncio, da exaustão e da paranoia. É o filme mais humano da franquia porque se permite focar no desgaste emocional do trio; o medalhão no pescoço é apenas um símbolo físico para o peso de uma responsabilidade que eles nunca pediram para carregar. A estética aqui é impecável, com a fotografia de Eduardo Serra explorando paisagens vastas e desoladas que reforçam o quanto Harry, Rony e Hermione estão pequenos diante da guerra. A sequência da animação do Conto dos Três Irmãos permanece como o ápice artístico da série, enquanto momentos como a dança improvisada na barraca trazem uma delicadeza necessária antes do golpe final. É um filme sobre o luto, sobre a perda da inocência e sobre o silêncio que precede a tempestade. Terminar com o Harry enterrando o Dobby "à mão", sem o uso de magia, é o lembrete definitivo de que, antes de serem heróis de uma profecia, eles são apenas jovens tentando sobreviver à crueldade do mundo real.

Harry Potter and the Order of the Phoenix

“You’re not a bad person. You’re a very good person who bad things have happened to.”

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Harry Potter and the Order of the Phoenix

Não sei exatamente por que esse filme sempre me deixa com a sensação de que o ar ficou mais pesado. Talvez seja porque, pela primeira vez, o Harry parece realmente cansado. Não fisicamente — cansado por dentro, daquele jeito que ninguém vê, mas todo mundo sente quando ele entra na sala. A Ordem da Fênix tem um ritmo estranho, quase desconfortável. E acho que isso é proposital. Nada está no lugar: Hogwarts virou um ambiente hostil, o Ministério está em negação, e a Dolores Umbridge… bom, ela é o tipo de pessoa que transforma até o silêncio em punição. A cada cena dela, dá pra sentir a parede se aproximando um pouco mais. O Harry passa o filme inteiro tentando convencer o mundo de que algo terrível está voltando, enquanto o mundo tenta convencer ele de que ele está louco. E isso dói mais do que qualquer duelo. É o tipo de solidão que não faz barulho, mas corrói. O que mais me marcou nessa revisita foi a Sala Precisa. Não pela magia, mas pelo que ela representa: um lugar onde adolescentes, cansados de serem tratados como crianças, decidem ensinar uns aos outros a sobreviver. Não tem glamour, não tem heroísmo — só necessidade. E aí vem o final no Ministério. Aquela luta é bonita e triste ao mesmo tempo. Bonita porque, pela primeira vez, o Harry não está sozinho. Triste porque, no fim, ele perde alguém que era quase uma promessa de família. A morte do Sirius não é filmada como um grande evento — é silenciosa, quase confusa, e talvez por isso doa mais. Saí com a sensação de que A Ordem da Fênix é o filme em que o Harry deixa de ser “o menino que sobreviveu” e vira alguém que entende o preço disso. Não tem vitória aqui. Só um passo adiante, meio trêmulo, mas necessário.

Harry Potter and the Prisoner of Azkaban

“Happiness can be found even in the darkest of times.”

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Harry Potter and the Prisoner of Azkaban

O terceiro ano em Hogwarts, sinceramente, parece que alguém abriu uma janela e deixou o vento entrar. O filme tem essa energia diferente — mais madura, mais inquieta — como se o mundo mágico tivesse finalmente percebido que crescer dói. A primeira coisa que me chamou atenção foi o clima. Não é mais aquele Hogwarts iluminado e acolhedor dos dois primeiros filmes. Aqui tudo parece mais vivo, mais orgânico, quase como se o castelo tivesse humor próprio. A mão do Alfonso Cuarón está em cada canto: na câmera que respira, nos detalhes que passam rápido, nos silêncios que dizem mais do que diálogos. E aí vêm os Dementadores. Eles não são só criaturas assustadoras — são uma presença. Aquele frio que toma a tela parece atravessar a gente também. É o tipo de ameaça que não precisa gritar para ser devastadora. O trio está num momento interessante. O Harry está mais introspectivo, carregando uma raiva que ele não sabe nomear. O Ron e a Hermione começam a se estranhar de um jeito que só quem já teve amizade longa entende. E, no meio disso tudo, aparece o Sirius Black — que o filme trata como uma sombra até o último segundo, só pra depois virar uma das figuras mais humanas da saga. A cena do Hipogrifo continua sendo uma das coisas mais bonitas que a franquia já fez. Tem algo de libertador ali, como se o Harry estivesse tocando, por alguns segundos, uma vida que poderia ter tido. E claro, o vira-tempo. Cuarón transforma o que poderia ser só um truque de roteiro em um momento quase poético. Ver a história se dobrando sobre si mesma, com o Harry encarando a própria memória, é mais emocional do que eu lembrava. Saí com a sensação de que O Prisioneiro de Azkaban é o filme em que a saga finalmente encontra sua identidade. Não é mais só magia — é melancolia, é descoberta, é o primeiro passo rumo a algo maior e mais escuro. E, mesmo assim, tem uma beleza que fica com você depois que os créditos sobem.

Wicked

wicked

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Wicked

Hoje saí do cinema com a impressão de que Oz tinha grudado em mim. Não sei se foi a luz verde que parecia escapar da tela ou se foi a sensação estranha de acompanhar duas pessoas tentando existir num mundo que insiste em rotular tudo. Só sei que fiquei meio suspenso no ar quando as luzes acenderam. A primeira coisa que me pegou foi a dinâmica entre a Elphaba e a Glinda. Não é aquela amizade fofinha de comercial de margarina. É torta, cheia de atritos, cheia de momentos em que você percebe que as duas estão tentando ser vistas — não pelo mundo, mas uma pela outra. E isso, pra mim, foi mais forte do que qualquer número musical. Cynthia Erivo canta como se estivesse abrindo o peito e deixando a gente olhar lá dentro. Tem momentos em que ela nem precisa falar nada; só o jeito que ela ocupa o espaço já diz tudo. Ariana Grande, por outro lado, tem aquele brilho meio desconfortável de quem sempre foi tratada como “a favorita” e não sabe muito bem o que fazer com isso. Juntas, elas funcionam como duas metades que não deveriam encaixar, mas encaixam. Visualmente, o filme é um exagero delicioso. Tem cenas que parecem ter sido feitas pra você pausar e ficar olhando como quem olha vitrine bonita. Mas o que mais ficou comigo não foi o espetáculo — foi a sensação de que, no fundo, Wicked é sobre como o mundo escolhe quem é “boa” e quem é “má” com base em nada. E como isso machuca. Saí do cinema com a impressão de que a história não estava tentando me convencer de nada. Só queria que eu sentisse. E senti. Talvez até demais.

Call Me by Your Name

Brazil, i'm devasted!

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Call Me by Your Name

Call Me by Your Name é aquele tipo de filme que não só conta uma história — ele captura um sentimento. E não qualquer sentimento: aquele amor de verão que chega sem pedir licença, muda tudo e depois deixa um silêncio que ecoa por anos. A direção do Luca Guadagnino transforma cada cena em algo quase tátil. Você sente o calor do verão italiano, o cheiro das frutas, o som distante das bicicletas passando. É um filme que parece vivido, não apenas assistido. Timothée Chalamet entrega uma das atuações mais vulneráveis da década. Elio é complexo, impulsivo, brilhante e completamente perdido dentro do próprio desejo. Armie Hammer, como Oliver, traz uma presença magnética — alguém que você entende imediatamente por que seria impossível não se apaixonar. Mas o que realmente faz o filme ficar na cabeça é a forma como ele trata o amor com uma honestidade rara. Não há melodrama exagerado, não há vilões. Só duas pessoas tentando entender o que sentem, num tempo e lugar onde nada disso era simples. A cena final de Elio diante da lareira é um dos momentos mais devastadores e belos do cinema recente. Guadagnino deixa a câmera ali, parada, como se dissesse: “sinta isso com ele”. E a gente sente. É um filme sobre descoberta, desejo, perda e, acima de tudo, sobre como algumas experiências marcam a gente para sempre — mesmo que durem apenas um verão.

The Little Prince

O Pequeno Príncipe

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The Little Prince

O Pequeno Príncipe é aquele tipo de filme que chega de mansinho, mas quando você percebe já está com um nó na garganta e pensando na vida. Ele pega a essência do livro do Saint-Exupéry — que muita gente conhece como uma fábula poética sobre infância e sensibilidade — e coloca tudo dentro de uma história nova, contada pelos olhos de uma garotinha que vive num mundo rígido, cheio de regras e expectativas. O que mais me pegou foi justamente esse contraste: a menina vive numa rotina sufocante, planejada minuto a minuto, até que conhece o velho aviador, que é praticamente o oposto disso. As cenas entre os dois são as mais bonitas do filme, porque misturam humor, carinho e aquela sensação de que a gente esqueceu de ser criança faz tempo. Visualmente, o filme é um espetáculo. A mistura de animação tradicional em stop-motion com CGI deixa tudo com um ar de conto de fadas moderno. As partes que mostram a história original do Pequeno Príncipe são tão delicadas que parecem feitas à mão — e isso combina demais com o tom poético. A trilha sonora do Hans Zimmer também ajuda a criar aquele clima de nostalgia gostosa, que faz a gente lembrar de coisas simples que já significaram muito. No fim, O Pequeno Príncipe não é só um filme infantil. Ele fala sobre crescer sem perder o essencial, sobre lembrar do que importa e sobre como a imaginação pode salvar a gente de um mundo que insiste em ser sério demais. É um daqueles filmes que dá vontade de rever com calma, talvez num dia mais quieto, só pra sentir tudo de novo.